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Quarta-feira, Janeiro 31, 2007
Enquanto isso...
Em sua coluna de hoje Artur Xexéo comenta a explicação do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para a chuva de balas perdidas, anteontem em Copacabana. O secretário disse que os bandidos desceram pro asfalto porque estão desesperados com a repressão ao tráfico nas favelas. Xexéo pergunta: "Então a gente vai ter que esperar que o tráfico volte a ser lucrativo nos morros para poder andar em paz em Copacabana?". Pergunta sábia.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 11:23 AM
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Domingo, Janeiro 28, 2007
Novos tempos
Faço questão de publicar a íntegra da carta do delegado Rodrigo de Oliveira, coordenador da Core (a tropa de elite da Polícia Civil), publicada na seção de cartas do Globo, sábado passado. O delegado dá explicações aos leitores que mandaram um catatau de cartas publicadas no dia anterior, questionando o fato de um dos 15 detidos na megaoperação policial na Vila Cruzeiro, estar usando um radiotransmissor estilo talkabout, enquanto era levado pelos policiais. Devo confessar que a situação escapou deste redator, na produção da chamada da primeira página simplesmente porque não prestei atenção na foto e o retorno da matéria foi muito mal dado.
O que me animou na carta do delegado foi um sinal de novos tempos, em que o policial está preocupado em dar satisfação aos contribuintes. E o fez com uma sinceridade de espantar quem conhece a polícia.
"VILA CRUZEIRO - De algemas e rádio
A operação policial realizada por determinação da Secretaria de Segurança na Vila Cruzeiro teve por objetivo localizar e prender lideranças do tráfico de drogas na região, as quais estariam de alguma forma ligadas aos atentados ocorridos em nossa cidade no final do ano passado. A mim foi dada a nobre, porém árdua missão de chefiar tal operação, sendo certo ser esta localidade a mais bem armada de uma das facções criminosas que atuam em nosso Estado. Como resultado da mais bem organizada operação dos últimos anos tivemos nada menos que quinze criminosos presos, cinco criminosos mortos além de um verdadeiro arsenal de uso privativo das forças armadas apreendido, somado a grande quantidade de entorpecentes. Um verdadeiro sucesso. Todavia, não temos a pretensão de acreditar que todos os elementos envolvidos com o tráfico de drogas na localidade foram presos, e, muito menos, que todas as armas foram aprendidas. Assim, quando da retirada destes presos do interior da comunidade um dos líderes do tráfico que ali atua e que também fora preso, temendo por suas próprias vidas, implorou para que pudesse fazer contatos via rádio com os demais criminosos que de sua quadrilha no sentido de fazer cessar o intenso tiroteio, que conforme amplamente divulgado, já durava mais de dez horas. Neste quadro, assumo a inteira responsabilidade por ter autorizado que tal contato via rádio fosse efetuado, sendo certo que voltarei a fazê-lo sempre que entender que tal ação visa proteger os bravos policiais que participavam da operação, os profissionais da mídia que cobriam a ação policial, bem como a população de bem que reside na comunidade.
Rodrigo Oliveira
Delegado de Polícia
Coordenador da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da Polícia Civil"
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 11:09 PM
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Sábado, Janeiro 27, 2007
Foto Jorge Antonio Barros/27/01/2007, às 13h30m, na Rua Barão de Mesquita
Sensação de segurança
A foto é um flagrante do lado bom da Polícia Militar. Em minha ronda diária de "urban bike" pelas ruas da Tijuca, tive a grande satisfação de encontrar quatro cavaleiros do apocalipse, digo, do Regimento de Polícia Montada (RPMont), destacados para o novo policiamento a cavalo pela cidade, idéia do novo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, um homem de origem rural, do Rio Grande do Sul.
A sensação de segurança é parecida com a que temos nas ruas de Manhattan.
Os simpáticos policiais nem mesmo recusaram posar para a foto, sem saber qual seria o destino dela ou quem era o autor.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 3:21 PM
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Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
Exército de Bush tem nova arma
O Exército americano apresentou hoje uma nova arma não letal: raios de calor para dispersar multidões hostis. Está no
site da BBC Brasil.
Já pararam para pensar que quanto mais armas se produz, mais cresce a oferta de instrumentos a serviço do mal?
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 4:22 PM
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Disque-Denúncia Verde
Jotalhão, o elefante da Turma da Mônica, a serviço da antiga Cica
A Coordenação Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca) será instalada hoje em reunião entre o secretário de Estado de Segurança Pública, delegado José Mariano Beltrame; o comandante-geral da PM, coronel Ubiratan; e o secretário de Ambiente, Carlos Minc, às 16h de hoje, na sede da Secretaria de estado do Ambiente (Avenida Graça Aranha 182, 6º andar, no Centro).
O objetivo é combater e punir com agilidade os crimes ambientais, coordenando e planejando ações conjuntas para o enfrentamento dos criminosos, inclusive com a instalação do Disque-Denúncia Verde. A Cicca reunirá agentes de órgãos governamentais de diferentes níveis, como as delegacias de Meio Ambiente das polícias Civil e Federal, o Batalhão Florestal da PM e o Ibama.
Com sede na Secretaria do Ambiente, a Cicca foi idealizada para se tornar um marco no país no combate ao crime ambiental, com a montagem de um banco de dados integrado e um moderno serviço de inteligência verde.
Só para quem tem mais de 40 o nome Cicca lembra o slogan "A marca Cica bons produtos indica". É a marca de um antigo extrato de tomate, cujo garoto propaganda é o Jotalhão, da Turma da Mônica.
E para quem não lembra,o personagem Jotalhão, de Maurício de Souza, foi criado em 1962 para uma campanha do Jornal do Brasil, que tinha aquele animal como símbolo de seu caderno de anúncios classificados. Mas a campanha não foi adiante e o bicho foi oferecido a Cica.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 11:30 AM
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Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
O joio do trigo
O dia tumultuado hoje mal permitiu que eu comentasse um episódio digno de nossa vigilância: a quadrilha que está sendo investigada pela Polícia Federal por ter clonado dois carros da corporação. A falsificação foi tão bem feita que preocupa toda a polícia. Outro dia já acharam carros do Bope (Batalhão de Operações Especiais), também clonados. E agora a polícia descobriu que a clonagem deve estar sendo feita em algum lugar da Grota, favela onde foi seqüestrado e depois morto o repórter Tim Lopes, da TV Globo.
O episódio da clonagem deve nos dar a seguinte lição: nem tudo que reluz é ouro. Um carro de polícia nem sempre é um carro de polícia. E homens que aparentam ser policiais não passam às vezes de criminosos disfarçados. Dando show de operações de inteligência, os bandidos fizeram uma clonagem quase perfeita da insígnia da Federal.
A partir de agora, temos que tomar muito cuidado com carros de polícia. Da mesma forma como costumam agir os fora-da-lei.
Aqui vão algumas dicas para separarmos o joio do trigo:
1) Carros da polícia sempre levam as insígnias de sua corporação.
2) Verifique a existência e memorize o número de identificação.
3) No caso de veículos da Polícia Civil (preto e branco, com detalhes amarelo), há inscrição com o nome da unidade à qual o veículo é ligado.
4) No caso de veículos da Polícia Militar (azul e branco), também há inscrição com o nome da unidade, geralmente um batalhão. Procure saber quais os batalhões da área onde você reside, trabalha ou costuma circular. Se o carro não pertencer a essa unidade, há grandes chances de se tratar de um veículo em situação irregular.
Agora só para dar inveja nos pobres policiais brasileiros, uma pequena seleção de veículos policiais europeus:
Fotos de Jorge Antonio Barros
O carro da Scotland Yard, perto da sede polícia britânica, em Londres
O estado de conservação das motocicletas da polícia britânica é de corar
o mais orgulhoso motociclista da PM
O carro da Gendarmerie com o policial atento e vigilante perto do Arco do Triunfo,
em Paris
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:06 AM
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Bye, bye, Hunt
Morreu nesta quinta-feira o ex-agente da CIA Howard Hunt que participou da operação criminosa de espionagem da sede do Partido Democrata americano no escândalo que ficou conhecido como Watergate (o nome do prédio invadido, em Washington). Watergate começou como um mero caso de polícia e acabou no salão oval da Casa Branca e na retirada estratégica de seu principal hóspede, o presidente Nixon, republicano, que renunciou a um dos cargos mais poderosos do mundo, em 1974. Hunt foi o homem que recrutou quatro dos cinco criminosos que invadiram a sede do partido de oposição.
Curiosamente, 32 anos depois, o agente Jack Bauer descobriu hoje num episódio da série "24 horas" que o presidente americano é quem está por trás de assassinatos e de atos supostamente praticados por terroristas para justificar toda uma política de combate ao terror.
Eu gosto do Caso Watergate porque ele sacudiu as instituições americanas e, a partir do show de jornalismo do Washington Post, levou a imprensa americana a mergulhar no jornalismo investigativo, influenciando toda uma geração de repórteres no mundo inteiro.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:55 AM
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Terça-feira, Janeiro 23, 2007
Turistas estrangeiras
brincam de PM no Rio.
Com armas de verdade.
O Globo Online recebeu agora à noite o link enviado por um leitor com
fotos sensacionais de um grupo de belas turistas estrangeiras brincando com armas pesadas de policiais militares do 33o Batalhão da PM (Angra dos Reis). O site foi rápido, botou as fotos no ar e, de lambuja, o repórter Eduardo Almeida fez a matéria que sai nesta quarta na editoria Rio do Globo, em alto de página.
O dono das fotos também foi rápido e já tirou-as do site dele.
O comandante do batalhão, que confessou não ter internet em casa (outro absurdo), disse que vai tomar providências porque certamente a situação é irregular.
Com certeza os PMs não fizeram por mal. Eles apenas foram seduzidos pelas mulheres e entraram no clima da brincadeira e das fotos feitas pelo grupo de estrangeiros. Mas deveriam ser serevamente advertidos a não permitir esse tipo de brincadeira com seus instrumentos de trabalho. É por essas e outras que a corporação muitas vezes não é considerada séria. Os sérios pagam pelos brincalhões.
Mais uma vez vou bater na tecla da educação (parece síndrome de Cristóvam Buarque). Mas esses policiais estão precisando de uma boa reciclagem e volta às salas de aula da corporação.
E lembro de um episódio que assisti com esses próprios olhos, no fim do ano passado, na semana dos atentados. Um perito da Polícia Civil veio examinar a janela do restaurante do jornal, que fora atingida por uma das balas disparadas por bandidos, num ataque a uma delegacia de polícia, vizinha. Ao chegar no restaurante, para fazer uma boquinha, deparei-me com um fuzil M-16 (a versão militar do AR-15) jogado sobre uma das mesas, a uns 10 metros de onde estavam os peritos. Cheguei bem perto da arma, olhei-a e comentei, ironizando: "Se eu fosse do mal, poderia estar agora mesmo com esse rifle nas mãos, botando todo mundo para correr aqui no restaurante". O policial reagiu, comentando que o momento não era para brincadeira. Imaginem se fosse.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 10:54 PM
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Segunda-feira, Janeiro 22, 2007
Como proteger sua conta das fraudes
O jornal Agora São Paulo divulga cuidados contra golpes bancários. Aqui vai um resumo. Recorte e guarde.
VEJA OS CUIDADOS QUE DEVEM SER TOMADOS NA UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS COMO CAIXA ELETRÔNICO E INTERNET PARA EVITAR GOLPES DE CRIMINOSOS
A principal estratégia dos criminosos para fraudar contas bancárias é obter dados pessoais e senhas, que depois são usados nos golpes.
Estatísticas da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) apontam que, só em 2005, os golpes causaram um prejuízo de R$ 300 milhões aos bancos e seus clientes.
Segundo o engenheiro, Marcelo Lau, especialista em fraudes no sistema bancário, apesar de toda a tecnologia disponível, os golpes mais comuns ainda são aqueles que usam a "malandragem". Ele explica que fraudadores ficam nos bancos esperando que clientes mal informados peçam ajuda para usar caixas eletrônicos ou digitem senhas sem o devido cuidado.
"O criminoso vê a senha do cliente e, depois, se utiliza dela da maneira que quiser", afirma o engenheiro.
TELEFONEMA. Criminosos também ligam para os clientes, se identificam com funcionários do banco e pedem a senha. Atualmente, diz o engenheiro, existem máquinas que conseguem captar os números digitados no telefone.
A CLONAGEM dos cartões de crédito é outro meio comum de tirar dinheiro do consumidor. A cópia acontece quando ele vai fazer compras ou então deixa o cartão com estranhos.
NA INTERNET, os criminosos usam um tipo de programa espião, chamado de "cavalo de tróia", que capta informações digitadas pelo cliente em seu computador e repassa esses dados para o fraudador.
Lau explica que os criminosos enviam e-mails falsos ou mesmo mensagens em salas de bate-papo contendo links que instalam o vírus no computador do cliente. A partir daí, toda operação feita no equipamento é monitorada pelos bandidos, que usam as senhas e informações digitadas para fazer outras operações bancárias sem que o cliente fique sabendo.
CHEQUES também são alvos das fraudes. Segundo Lau, existem dois tipos básicos de golpe: a falsificação da folha do cheque e a adulteração dos valores que forma preenchidos pelo cliente.
PREJUÍZO MAIOR É DO BANCO. Nos casos em que o cliente é comprovadamente vítima, o banco deve arcar com os prejuízos, diz Brunno Pandoli Giancoli, advogado e professor de direito civil. "O banco é que tem de provar que não houve fraude e que o cliente é o responsável pelo saque indevido. É o que é chamado de inversão do ônus da prova", afirma o advogado.
De acordo com Giancoli, o consumidor que for vítima de golpe deve, antes ir à Justiça, procurar uma solução amigável com o banco. É importante, também, que essa tentativa seja documentada.
"Envie uma carta com aviso de recebimento", sugere o advogado. Em caso de saque indevido, Giancoli recomenda que o cliente apresente extratos que demonstrem que o lançamento não condiz com o padrão do cliente, pois tem valor muito maior do que ele normalmente saca.
Segundo a técnica de defesa do consumidor do Procon-SP, Renata Reis, o dinheiro só é devolvido quando o banco sabe que quem falhou não foi o cliente, mas seu sistema de segurança. "Nenhum banco vai admitir que seu sistema de segurança não é totalmente confiável", diz. (Vinicius Konchinski e VS)
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:19 PM
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Domingo, Janeiro 21, 2007
As armas circulam dentro do estado.
Não vêm de fora
Pelo segundo domingo consecutivo, Vera Araújo, amiga e repórter do Globo, dá hoje manchete do jornalão da Irineu Marinho. Tráfico
aluga armas pesadas para fortalecer quadrilhas. A informação foi dada pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, com base em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, feitas pela Polícia Federal. Os traficantes estão alugando armas pesadas para quadrilhas com menor poder de fogoUm fuzil que custa no mercado clandestino R$ 35 mil sai por apenas R$2 mil e pode ser pago como parte do dinheiro arrecadado em asaltos ou com o lucro da venda de drogas.
Essa informação significa também que podem vir a se tornar inúteis todos os esforços de combate à entrada de armas nas divisas do estado. O que a operação pode evitar é o ingresso de munição, procedente do Paraguai, isso sim. Mas se os fuzis estão circulando dentro do Rio entre os mesmos, é porque já tem caído a oferta de armas vindas de fora do estado. Elementar, meu caro Watson.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:56 PM
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É fantástico: o Rio pode virar campeão de balas perdidas
O Fantástico de hoje à noite vai exibir matéria especial sobre balas perdidas no Rio. A informação é que, apesar da falta de estatísticas, a cada dois dias uma pessoa seria vítima de bala perdida na cidade. A primeira providência do governo do estado seria pedir um estudo sobre o assunto ao Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão do governo encarregado dos números da criminalidade.
O grande mistério é que tráfico de drogas pesadas existe em qualquer grande cidade do mundo. Mas em poucas, até mesmo em Bogotá, ocorre tanta vítima de bala perdida, como no Rio. Qual é a principal origem dos confrontos entre policiais e traficantes? Há quem diga que não são apenas as "operações enxuga-gelo", mas sobretudo a ação nociva de policiais que vão "mineirar" (extorquir dinheiro) dos traficantes e nem sempre os encontram de bom-humor.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:50 PM
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Sábado, Janeiro 20, 2007
A violência do Rio na Economist
A tradicional revista
The Economist traz matéria arrasando com o governo Rosinha e saudando o novo governo, de Sérgio Cabral. E mostra que a situação econômica do Rio vai depender muito dos resultados da luta contra o crime.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 9:14 PM
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Vexame
A primeira apreensão da Força Nacional na Dutra, agora à tarde, foi uma pequena quantidade de maconha em poder de quatro jovens num carro com placa de Resende. Os policiais poderiam se poupar desse vexame. Em troca da prisão e da apreensão, um dos agentes poderia ter pedido por exemplo o contato que forneceu a droga aos rapazes. Seria menos uma boca-de-fumo em Resende.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 7:52 PM
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A força da Força
A badaladíssima Força Nacional de Segurança, que usa entre outras armas não letais uma que tem o apelido de Mike Tyson - tamanho é o impacto da bala de borracha -
começou agora à tarde finalmente a revistar veículos na Rodovia Presidente Dutra, em Itatiaia, numa das divisas do estado. Em Bom Jesus de Itabapoana, a tropa foi recebida com aplausos pelos habitantes da pequena cidade do Norte Fluminense. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, acompanhou o início da operação; o governador Sérgio Cabral afirmou hoje estar superconfiante nos resultados, está todo mundo no maior clima de "já ganhou".
Desde o início aposto na importância da Força Nacional, a tropa de elite criada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, subordinada ao Ministério da Justiça. Mas não sejamos ingênuos, a ação da Força não vai impedir que drogas e armas entrem no Rio. Os bandidos vão recorrer a outros expedientes. E aí é que o governo do estado tem que se preparar para atuar, completamente integrado à Polícia Federal e à Receita Federal, que têm a missão de fiscalizar portos e aeroportos.
O que a integração do governo do estado e a União está permitindo é, pela primeira vez, a possibilidade concreta de um combate mais duro ao ingresso de drogas e armas ao Rio. Não esqueçam que foi num dos governos Brizola que surgiu a máxima que os morros do Rio não fabricam armas, não cultivam coca e nem produzem cocaína. A afirmativa, feita à época pelo vice-governador, Nilo Batista, significava dizer que o problema do tráfico de droga não está no varejo, nas favelas, mas no atacado.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 7:41 PM
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Dois PMs são chamados para impedir um assalto.
E também são assaltados
Uma história ganhou destaque nos jornais deste sábado: dois PMs do 9o Batalhão (Rocha Miranda) foram assaltados por cúmplices dos ladrões que os policiais iriam prender, durante o roubo de uma loja de eletrodomésticos do Baú da Felicidade, em Madureira. É isso mesmo que você leu. Dois policiais, um soldado e um sargento, receberam a missão de prender os assaltantes e acabaram sendo rendidos, assim como as vítimas que haviam pedido socorro à polícia.
E por que aconteceu isso, perguntaria o caro leitor? Simplesmente porque os policiais chegaram esbaforidos e não tiveram o cuidado de dar uma olhada antes no terreno. Os assaltantes tinham cúmplices na cobertura e deram o bote em cima dos policiais. Os PMs ficaram sem suas armas e, se eu fosse o comandante deles, mandaria eles de volta para o centro de instrução da polícia. A questão mais greve é se a academia está ensinando a eles o que precisam aprender. Apenas como observador do tema, diria que o que está faltando a grande maioria dos policiais são noções mínimas de tática e inteligência.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 7:30 PM
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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
Ex-miss Brasil é atacada
O novo governo tem buscado uma atitude de transparência em várias áreas, sobretudo na de segurança, mas a polícia conseguiu esconder hoje durante o dia todo o assalto sofrido pela ex-miss Brasil, a poderosa Leila Shuster, figurinha clássica das colunas sociais.
Ela foi atacada por assaltantes na saída de um desfile paralelo do Fashion Rio, em Botafogo. E quase perdeu os dedos ao ser esfaqueada pelos assaltantes.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 11:38 PM
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Terça-feira, Janeiro 16, 2007
Autonomia ma non tropo
O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Correa, acabou de garantir no Rio que a Força Nacional de Segurança não terá tanta autonomia assim, como está na medida provisória assinada ontem pelo presidente Lula. Luiz Fernando garantiu a Sérgio Cabral que o governo do estado estará no comando das operações. Ufa! A manchete do Globo de hoje passou a idéia de que estava ocorrendo uma intervenção consentida na segurança do Rio.
A tropa federal precisa de poder de polícia para não ter questionadas na Justiça suas ações, mas isso não significa que vai agir por conta própria. O chefe é o governador e seu comandante o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:30 PM
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Fogo verde-e-rosa
Duas semanas depois de começar o novo governo, o tráfico desafia a polícia na Mangueira. Um tiroteio entre bandidos e policiais da Divisão de Roubos e Furtos de Cargas resultou na morte de três criminosos, segundo a polícia. "Os pessoal" do morro se revoltou e botou fogo em ônibus e carros.
Foi agora de manhã.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:20 PM
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Favelas no centro
do conflito armado
O conflito armado nas favelas do Rio parece não ter fim. A socióloga Márcia Pereira Leite, da Uerj, havia publicado excelente artigo sobre o tema, dentro do relatório de 2005 do Observatório da Cidadania, iniciativa do Ibase para refletor sobre questões sociais, a partir da Social Watch, a articulação internacional de organizações da sociedade civil. Veja um trecho do texto de Márcia:
"A visão de quem vive nas favelas A população que vive nas favelas ressente-se dos limites (sociais, simbólicos, mas também impostos pelas forças policiais) à sua circulação na cidade (como o impedimento de freqüentar determinadas praias, ruas, praças, shoppings etc.) e à convivência com moradores e moradoras dos
bairros.16 Critica, sobretudo, o estigma e os preconceitos que inspira e a criminalização de suas ações coletivas daí decorrentes. Reconhece que as quadrilhas de traficantes de drogas fizeram das favelas um território privilegiado da violência, mas recusa-se a deixar que as favelas sejam resumidas pela violência e pelo tráfico de drogas.
A polícia, que sobe os morros para combater as quadrilhas sem o cuidado de proteger quem lá vive e/ou que se associa ao tráfico e recebe suas propinas, é apresentada como um dos produtores de violência. Essas práticas tornam corriqueira a formulação que ouvi de inúmeros(as) moradores(as) de favelas: "Não é que a gente goste dos traficantes, mas a gente não confia na polícia". A banalização da frase não deve ocultar a simplicidade brutal do diagnóstico que realizam sobre seu
lugar na cidade e na sociedade em que vivem."
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:15 PM
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Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Chega a cavalaria
Enfim
chegaram os integrantes da Força Nacional de Segurança, 15 dias depois de o governador Sérgio Cabral ter dito que gostaria muito que eles estivessem aqui de imediato. A burocracia é um dos males na luta contra o crime.
A cavalaria chegou e ainda vai levar mais um dia para entrar de prontidão nas divisas do estado. Se agirem com eficiência vai aumentar o tráfico formiguinha, sobretudo em ônibus interestaduais, que são menos revistados. E deve aumentar também o uso dos aeroportos clandestinos, portos e até mesmo do grande Tom Jobim, que algum dia já chamado de queijo suíço. Ou alguém duvida que há conteiners que passam incólumes por lá?
O governador deve então apelar à integração com o governo federal (que inclusive está ganhando mais gás hoje, com a presença do ministro da Justiça no Rio), para fechar as comportas nos outros pontos também.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:34 PM
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Almirante critica ação nas divisas
Reproduzo abaixo post do Ex-Blog do Cesar Maia, que tem acompanhado de modo bastante crítico às mudanças na segurança do Rio:
"ALMIRANTE DE ESQUADRA COMENTA SOBRE O USO DAS FFAAs NAS FRONTEIRAS!
Só não entendi se a critica é aos políticos ou ao ridículo orçamento das FFAAs para este fim!
Trecho de seu e-mail.
¿Um artigo, publicado em 1999, da revista ¿Strategiy & Tatics¿ cujo título é ¿War and the military Revolution in the 21st Century", informa que para patrulhar a fronteira americana das drogas (México) são necessários 96 batalhões de infantaria, 53 companhias de helicópteros (mais ou menos 150 aeronaves) 210 navios de patrulha e 110 aviões de busca! A pergunta é: Vocês acham que os políticos que falam em colocar as FA nas fronteiras sabem do que estão falando? É somente demagogia? E o que dizer dos militares que apóiam a idéia? São estes oportunistas ou incompetentes? Enfim, o assunto é extenso e não vou me alongar, mas sempre que disserem a vocês que as FA devem vigiar o crime nas fronteiras (terrestres, marítimas e aéreas) perguntem ao fulano se ele tem idéia do que é necessário. Vamos deixar de ser bucha de canhão (se algo der errado a culpa será nossa!). O que devemos declarar a todos é: As Forças Armadas estão cansadas de cobrir incompetências Municipais, Estaduais e Federais"."
Esse almirante poderia ao menos ter autorizado que seu nome fosse divulgado pelo prefeito, não?
É mais fácil criticar quando se tem a garantia do anonimato.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:27 PM
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Domingo, Janeiro 14, 2007
A morte de um bravo
Como previ alguns posts abaixo, o tenente-coronel Alexandre Siqueira de Andrade foi promovido por bravura pós-morte por decisão do governador Sérgio Cabral, que demonstrou sensibilidade e foi ao
enterro do comandante do 13o BPM, assim como o secretário de Segurança, José Beltrame.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:40 AM
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Sábado, Janeiro 13, 2007
Sem proteção
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, revelou em encontro com editores do Globo que já recebeu diretamente dois pedidos de políticos para proteger delegados ligados a eles.
Polidamente, Beltrame disse que não vai proteger ninguém, exceto os contribuintes que o pagam.
Essa realmente é a vantagem de o cargo de secretário de segurança ser ocupado por alguém que não pertence às corporações policiais do estado. Ele fica mais à vontade para negar esse tipo de pedido.
Além de ter vindo do Paraná, há dois anos no Rio, Beltrame está seguindo orientação do seu chefe imediato, o governador Sérgio Cabral, que durante toda a campanha prometeu que iria acabar com a politização da segurança pública.
Como se sabe, políticos cansaram de nomear delegados titulares e comandantes de batalhão não só em busca de prestígio junto aos policiais, como também de olho em eventuais caixinhas eleitorais com o dinheiro de propinas das mais diversas áreas.
Se o novo governo conseguir evitar isso a partir de agora será um grande avanço no combate à corrupção dentro da polícia.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:02 PM
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Um herói da PM
A morte de um oficial e comandante de batalhão da PM esta madrugada é ultrajante. O nome dele é Alexandre Siqueira de Andrade, comandante do 13o BPM (Praça Tiradentes), que morreu ao cair de uma altura de sete metros, durante luta corporal com um bandido. Veja no
Globo on line.
Essa morte revolta cada cidadão de bem desta cidade. Mas temos que manter a serenidade e usar a contrição dos espíritos em solidariedade às vítimas, especialmente os policiais honestos e trabalhadores, que estão arriscando a pele para defender a sociedade..
Num gesto encorajador, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, prometeu estar no enterro do coronel às 16h, no cemitério de Sulacap.
Se eu fosse da assessoria de imprensa da secretaria, faria uma breve pesquisa na folha corrida do oficial e, caso nada o desabonasse, o transformaria num símbolo em torno do qual deveriam se unir todas as forças de segurança pública e da sociedade, empenhadas no combate ao crime.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:51 PM
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Conspiração para matar
Foto: Fábio Rossi/ O Globo
O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, aparece cercado de seguranças
O meu futuro chefe, Ancelmo Gois, furou todo mundo e estampou
na primeira página do Globo de hoje a informação de que o secretário de estado de Saúde, Sérgio Côrtes, foi alvo de um plano de assassinato.
Côrtes está vacinado contra ameaças de morte (a primeira delas foi em março de 2005, segundo
matéria publicada na Folha de S. Paulo) por conta de sua atuação à frente do Instituto de Traumato-ortopedia (Into), impedindo licitações bandalhas.
Mas dessa vez deu medo.
O plano foi descoberto pelo serviço de inteligência da Secretaria de Segurança e tinha até local para acontecer.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:28 PM
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Conselho útil
Navegando por aí achei uma pérola no
site do delegado Álvaro Lins, deputado estadual eleito pelo PMDB e ex-chefe da Polícia Civil. Durante a campanha, ele publicou podcasts com excelentes nove dicas sobre prevenção contra o crime, uma das especialidades deste blog. Vale a pena ouvir atentamente os conselhos de Álvaro.
Só faltou uma dica preciosa, que seria muito útil aos administradores públicos: como prevenir irregularidades ou envolvimento em corrupção de seus subordinados. Afinal, Álvaro foi o chefe de polícia mais tempo no cargo (seis anos), mas também um dos poucos que teve a maior quantidade de auxiliares diretos suspeitos de corrupção, conforme o inquérito aberto pela Polícia Federal do Rio. Eles ficaram conhecidos como os "inhos", por causa do diminutivo agregado ao nome.
Álvaro também é suspeito de envolvimento com a máfia do caça-níquel (a versão pós-moderna dos bicheiros), mas não surgiu ainda nenhuma prova concreta contra ele. Pelo menos uma certeza agora se tem: ele não apresentou nenhuma dica de segurança contra auxiliares da banda podre.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:20 PM
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Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Arrastão em via expressa. De novo
Foi só eu falar em varejo que começou novamente o atacado:
15 motoristas foram vítimas de um arrastão em pleno acesso ao Túnel Rebouças.
Os bandidos apenas apostaram no intervalo até o grande esquema de policiamento, que será montado nas vias expressas a partir de terça-feira próxima.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 11:27 AM
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A situação da tortura no Brasil
A Human Rights Watch, entidade de defesa dos direitos humanos reconhecida internacionalmente, liberou nesta quinta-feira
um relatório sobre a situação em 75 países, entre eles o Brasil. No país do carnaval nada mudou na questão de direitos humanos.
Entra e sai relatório, a situação parece a mesma, mas em junho do ano passado a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República criou o Comitê Nacional para Prevenção e Controle da Tortura. Já é alguma coisa.
Segundo dados oficiais colhidos pelo relatório, "a polícia matou 328 pessoas no estado de São Paulo nos primeiros seis meses de 2006, um aumento de 84 por cento em relação ao mesmo período de 2005. Muitas das mortes ocorreram em maio, depois que a gangue criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) deflagrou uma série de ataques coordenados contra policiais, carcereiros, ônibus, bancos e prédios públicos.
A polícia respondeu aos ataques de forma agressiva e, em alguns casos, com uso excessivo da força. Os embates entre a polícia e membros do PCC causaram a morte de mais de 100 civis e cerca de 40 agentes de segurança no estado de São Paulo, de acordo com estimativas oficiais. Em uma investigação preliminar, um comitê independente revelou fortes evidências de que várias das mortes documentadas foram execuções extrajudiciais."
"A violência policial também foi comum no estado do Rio de Janeiro, onde a polícia matou 520 pessoas no primeiro semestre de 2006, segundo dados classificados oficialmente como ¿resistência seguida de morte¿. Dezesseis policiais foram mortos no estado durante o mesmo período."
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 1:04 AM
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Alternativa Paz & Amor
"A tragédia da segurança pública é a tragédia de um Estado que, por nunca ter sido plenamente democrático e de direito, falhou no combate ao crime na mesma medida em que foi incapaz de implementar políticas públicas de inclusão".
A afirmação é do professor de sociologia da Facha, Gilson Caroni Filho, em seu
artigo no site alternativo de notícias Carta Maior.
Vale a pena dar uma olhada no que diz o professor para não ficarmos também achando o tempo todo que o combate ao crime só depende de leis mais duras, redução da maioria penal e Exército nas ruas. Não é assim que a banda toca.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:59 AM
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Varejo da violência
O governo é novo, mas a vida continua. Os bandidos parecem ter dado uma trégua no atacado, mas no varejo, não sei, não. O secretário de redação, Venerando, acaba de me contar três episódios violentos que ouviu hoje de suas amigas.
Uma delas viu um tiroteio perto do Consulado americano, em pleno Centro do Rio, às duas da tarde de quarta-feira. Um dos atiradores era o ladrão saindo de um banco assaltado. Outra contou que o pai de um amigo foi vítima de seqüestro relâmpago em Laranjeiras esta semana. E o terceiro e último caso envolveu a viúva de um grande jornalista Heraldo Dias, que foi abordada por um assaltante no Recreio.
"Eu sou filha de Deus e você também é", afirmou a mulher ao bandido que concordou com a afirmativa e botou dez no veado.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:55 AM
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Mistério em Mesquita
Um casal foi assassinado a tiros no fim da noite de ontem, num dos acessos à Rodovia Presidente Dutra, em Mesquita. O arquiteto Mario Jorge dos Santos Pereira,
de 44 anos, e uma mulher foram encontrados por volta das 22h, num Toyota Corolla blindado abandonado numa rua erma e sem iluminação no bairro de Jacutinga. Segundo a polícia, ainda não é possível saber o motivo do crime. Esse duplo homicídio não tem o menor sinal de ser latrocínio.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:50 AM
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Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Tinta carregada
O governador Sérgio Cabral é realmente do cacique!
Vejam só como ele sabe reagir a matérias negativas, como a do New York Times, de ontem:
"Eu diria que é direito dos jornalistas escrever. Quero lembrar que alguns anos atrás fui eu que entrei com habeas corpus para garantir a presença do Larry Rother no Brasil. A liberdade de imprensa é fundamental. Há dois meses vi matéria no caderno de viagem do NYT como a Lapa era bonita e agradável e foi recuperada pela música. É o jogo da imprensa para chamar a atenção.O Rio de Janeiro enfrenta problemas efetivos que não vamos esconder. Evidentemente pode ter havido carregação na tinta, na colocação. mas não vou questionar o repórter. É o direito dele e o nosso de dar tranquilidade à população."
Muito bem, governador.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 7:55 PM
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Deu no New York Times
Como diria o saudoso Henfil e mais tarde Jorge Benjor, deu no New York Times:
Rio vive uma guerra não declarada. A reportagem mostra que estamos vivendo uma situação atípica, de conflito armado. A matéria, reproduzida pelo site da BBC Brasil, diz que entre 2004 e o ano passado houve 18.920 mortos, vítimas da violência. O número equivale a metade das vítimas de armas de fogo em todo o país.
Até as polícias já sabem que estamos em guerra. Não é à toa que cada vez mais são empregados termos típicos de um conflito armado: ocupação (no caso da presença policial nas favelas), invasão, teatro de operações, poderio bélico, guerra psicológica etc etc.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:02 PM
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Domingo, Janeiro 07, 2007
PE entra na guerra
A Polícia do Exército já começou a participar do acordo de cooperação entre a União e o governo do estado, aprovado pelo presidente Lula na quinta-feira passada. Ontem pela manhã vi, mas não deu para fotografar, duas duplas de patrulhamento a pé, com cães. A novidade no policiamento eram os fuzis e os coletes a prova de balas com a inscrição Polícia do Exército nas costas. Os soldados ficam na pracinha em frente ao Batalhão da Polícia do Exército, que fica na Rua Barão de Mesquita. Para quem não lembra foi ali que funcionou um dos mais nefastos porões da ditadura militar, o Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna). O Doi-Codi era uma tropa de elite no combate à "subversão armada", formada por homens do Exército, das polícias civil e militar e do Corpo de Bombeiros. Ali naquele quartel foi morto, entre outros, o deputado Rubens Paiva, até hoje na lista dos 124 desaparecidos políticos.
Se as Forças Armadas se empenhassem no combate ao crime como o fizeram na ditadura, os bandidos estariam dizimados. Só que agora o número de "inimigos" é incomparavelmente maior e com o respaldo de setores das forças de segurança.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 2:58 PM
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Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
Pra tonga da mironga
Doze presos de Bangu, entre os quais os chefes das facções criminosas acusados de ter comandado a onda de terror nos últimos dias do ano passado, são personas non grata no Estado do Rio. Foram mandados para a tonga da mironga, no presídio federal no interior do Paraná. Eu passava pela Ponte Rio Niterói hoje à tarde, quando vi o helicóptero Superpuma da Marinha decolar em direção a Bangu.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança do Rio acaba de divulgar o seguinte release:
"Ação integrada das forças de segurança transfere presos para o Paraná
O secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame anunciou, no início da noite desta sexta-feira (5/01), durante entrevista realizada na sede da secretaria de Segurança, que a transferência dos 12 traficantes presos em Bangu 1 para um presídio federal de segurança no interior do Paraná, foi uma medida preventiva promovida pelo sistema de segurança do Estado. ¿Não foi uma ação da secretaria de Segurança, mas do Estado. Estamos juntos nessa luta com outras instituições nesse processo de união e de integração¿, disse Beltrame.
A operação, que envolveu a Marinha, Aeronáutica e as polícias Militar, Civil e Federal foi a primeira ação integrada das forças de segurança do Estado em conjunto com um representante das Forças Armadas. De acordo com o secretário, há fortes indícios que apontam os presos transferidos como mandantes dos ataques que deixaram 19 mortos na última semana de dezembro no Rio. A transferência dos presos foi realizada à tarde pela secretaria de Administração Penitenciária.
De acordo com Beltrame, a fim de prevenir qualquer retaliação do crime organizado, o serviço de inteligência está integrado e funcionando de forma ativa. ¿As polícias civil e militar estão a postos para evitar qualquer tipo de retaliação do crime organizado. ¿Há o aumento de policiamento em pontos estratégicos da cidade¿, declarou. Beltrame ressaltou, ainda, que a Força Nacional está pronta para ser mobilizada.
Beltrame disse que terminou hoje o planejamento operacional da operação que será realizada pela Força Nacional no cinturão das regiões limítrofes do Estado, nas divisas com Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. ¿Após a reunião de terça-feira com o governador Sérgio Cabral, a nossa equipe técnica da subsecretaria de Inteligência se reuniu para fazer o planejamento. Terminamos a primeira fase e apresentamos para o governador. Acredito que, no início da próxima semana, já teremos o conjunto dos elementos para, a partir daí, dar o início da operação¿, revelou.
Caso haja necessidade de fazer novas transferências de presos elas serão realizadas. ¿Dispomos de 182 vagas nos presídios federais e se tivermos que remover mais presos iremos fazer. Estamos tomando medidas estruturais, analisadas, para que nós possamos, de maneira definitiva, obter resultados para a sociedade fluminense¿, finalizou.
Na próxima segunda-feira, a presidente do Instituto de Segurança Pública, Ana Paula Miranda, vai lançar o Fórum Permanente de Segurança Pública durante a reunião do Conselho Comunitário de Segurança, no Clube Ginástico Português,na Barra. A idéia do fórum é abrir um canal para a sociedade discutir e colaborar nas decisões estruturais da política de segurança."
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 9:14 PM
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Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
Exército na guerra
Os chefes das Forças Armadas no Rio já aprovaram a proposta feita pelo governador Sérgio Cabral, de que eles patrulhem as imediações de seus quartéis.
A medida agora depende de aprovação do presidente Lula, que obviamente não vai negar. As Forças Armadas vão inclusive ceder equipamentos como helicópteros para as polícias combaterem o crime no Rio. Boa utilidade para o material bélico. Mas o que os militares precisam aprender também é a guardar melhor seu armamento. Ou alguém já esqueceu que ano passado eles sofreram um assalto e passaram um bom tempo fazendo incursões nas favelas atrás das armas?
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:18 AM
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Cabral, o mancheteiro
O governador Sérgio Cabral continua ganhando a manchete do Globo (desta quinta-feira), com o viés da violência. Dessa vez disse, ao visitar o Hospital estadual Albert Schweitzer, em Realengo, que o governo do estado, do qual ele agora é o líder máximo, comete genocídio por causa das más condições e do péssimo atendimento médico. Anteontem, a diarista da casa dele morreu no Hospital municipal Souza Aguiar. Ele chamou o atendimento lá de roleta-russa (outro termo do universo criminal).
Cabral permaneceu com a manchete. E parece que tem bola de cristal. Como imaginou que a área de segurança não renderia tanto, ontem, ele levantou cedo e foi fazer a vistoria do hospital, acompanhado de seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes. A visita não foi surpresa. Mesmo assim, ele encontrou superlotação, medicamentos estragados, o escambau.
Aí encheu os pulmões e disse que o estado comete assassinatos nos hospitais e mata mais do que os criminosos que impuseram a onda de terror ao Rio.
A declaração é forte e encontrou respaldo entre todos os setores da área da saúde bastante críticos ao governo do estado e à prefeitura.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:10 AM
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
Mais uma do blog
Continuo sem acreditar que o governador Sérgio Cabral lê este blog, mas destaco que ele anunciou hoje outra sugestão que dei uns posts abaixo: vai pedir ajuda das Forças Armadas para policiar as imediações dos quartéis no Rio e, com isso, liberar mais PMs para o policiamento ostensivo de outras áreas. A idéia foi excelente. Sempre se fala em Exército nas ruas com tanques fazendo escarcéu. Como sugeri, não é isso que Cabral quer. Ele só quer ordem na casa. Dá-lhe, governador.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:57 AM
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Despolitização difícil
Durante a maratona de posses na área de segurança, o governador Sérgio Cabral, reafirmou promessa de campanha, de que pretende acabar com o loteamento de delegacias de polícia e batalhões da PM.
A despolitização da segurança pública, porém, é meta cada vez mais difícil porque as eleições passadas no Rio comprovaram definitivamente que, apesar dos altos níveis de insegurança do estado, o setor virou excelente vitrine para três candidatos eleitos com a plataforma da segurança, dois deles da cúpula - Álvaro Lins, eleito deputado estadual; e Marcelo Itagiba, deputado federal. Sem contar a inspetora Marina Magessi, também eleita deputada federal.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:44 AM
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Secretário no Rio
O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, chegou ao Rio, agora à noite, para participar pela manhã de reunião com o governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança, José Beltrame. O objetivo é acertar a data para o envio de tropas da Força Nacional de Segurança. A tendência do governo é que as tropas venham no início da segunda quinzena, para coincidir com a presença de delegações estrangeiras para um encontro de cúpula no Rio.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:42 AM
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De olho nas milícias
Logo após tomar posse num cargos mais importantes e delicados do novo governo, o secretário de Segurança, José Beltrame, anunciou que vai enfrentar as milícias, os grupos armados formados por policiais e ex-policiais civis e militares - a versão brasileira dos paramilitares colombianos. Duas semanas antes da posse, Beltrame já havia dito que investigaria policiais envolvidos com as milícias.
A grande dificuldade que o governo terá no combate a esse novo grupo armado é que policiais considerados eficientes e honestos, cansados da inoperância do estado, há muito tempo se enamoraram e são simpatizantes das milícias. Prova disso é que até pelo rádio da polícia, PMs mandaram aos milicianos saudações de Feliz 2007, no último dia do ano passado.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:38 AM
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As autoridades anunciam mais polícia nas vias expressas.
Os bandidos não param de assaltar.
O novo secretário de Segurança, José Beltrame, e o novo comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, assumiram ontem dizendo que a partir de hoje reforçam o policiamento nas vias expressas. Excelente decisão, mas um pouco atrasada. Isso é medida para se tomar no primeiro dia do novo governo. Pois enquanto o comandante da PM anunciava a decisão, um bando armado fechava o Elevado da Perimetral, umas das vias expressas, e assaltava dois motoristas, levando um carro. Enquanto começava a cerimônia de posse, os bandidos incendiavam o 16o ônibus, em São João de Meriti.
Enquanto isso, em Brasília, Lula voltou a falar que não se pode admitir que alguém ponha fogo num ônibus e mate os passageiros, como ocorreu na quinta-feira passada, no atentado do ônibus da Itapemirim.
Parentes de vítimas do incêndio, inclusive, estão se queixando do abandono total por parte da empresa de transportes. O governador Sérgio Cabral deveria visitar as quatro pessoas internadas com queimaduras graves. No exterior, é muito comum autoridades irem ao local de tragédias e visitarem vítimas em hospitais, como um sinal de solidariedade. No Brasil, infelizmente, isso é visto como demagogia. Certamente apenas por quem não tem nada a ver com a história. Porque quando a gente é a vítima qualquer palavra ou visita é muito importante para elevar a auto-estima.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 12:29 AM
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Segunda-feira, Janeiro 01, 2007
PM ou sociólogo
Quem não se saiu muito bem foi o novo comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, que não deixou claro se vai ou não mandar investigar o abuso de PMs que usaram o rádio da corporação para saudar integrantes de mílicias, no último dia do ano. Com tom de sociólogo, Ubiratan disse que a atitude dos policiais é um reflexo da sociedade, que, segundo o comandante da PM, prefere esses grupos (formados por policiais civis, militares e bombeiros) do que os traficantes no controle das favelas do Rio. Não é o que acham alguns moradores obrigados a pagar pela proteção oferecida pelas milícias.
O coronel Ubiratan é um policial muito respeitado pelo movimento de ONGs do Rio, sobretudo pelo trabalho inédito que coordenou, de abertura da PM à opinião pública ("A Polícia que queremos"), quando pela primeira vez diversos setores da sociedade foram ouvidos sobre a corporação prestes a completar 200 anos de fundação. Mas não é por isso que pode disparar abobrinhas.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 10:33 PM
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Bolas dentro
O futuro secretário de segurança, José Beltrame, também começou bem. Anunciou que vai criar um centro de inteligência e também uma nova corregedoria da PM, mais operacional. A decisão mostra que ele realmente está preocupado em enfrentar o maior desafio das autoridades hoje: a infiltração de bandidos na polícia.
Outro dia deu no Ancelmo que Beltrame estará cercado por sete homens de ouro da Polícia Federal.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 10:28 PM
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Caiu a ficha
Não se sabe ainda se foi para eleitor ver, mas o discurso de posse do presidente Lula, mais cedo, finalmente deixa claro que o governo já tem consciência sobre o que está por trás da onda de violência que atingiu o Rio nos últimos dias de 2006.
Lula afirmou que o aconteceu no Rio é terrorismo.
Já cansamos de dizer isso aqui neste blog, desde que a onda de terror devastou São Paulo ano passado.
O Rio já havia vivido episódios semelhantes como o de 2002, quando o Palácio Guanabara foi metralhado por traficantes. Mas pela primeira vez houve tantos mortos numa só noite de ataques.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 8:18 PM
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Cabral pede:
"Força de Segurança já"
Confesso que não sei se o novo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, leu este blog, mas fico feliz que ele tenha começado bem seu governo, atendendo uma das oito sugestões que dei a ele para enfrentar o terror no Rio: pedir o apoio da Força Nacional de Segurança. A decisão foi anunciada agora há pouco em Brasília, após participar da posse do presidente Lula.
Em seu discurso de posse, na Assembléia, pela manhã, Cabral prometeu endurecer contra o crime e pediu um minuto de silêncio pelas 19 vítimas da onda de violência que atingiu a Região Metropolitana durante os últimos quatro dias de 2006. Começou bem, sem fingir-se de morto.
Inspirada nas tropas de paz das Nações Unidas, a Força Nacional de Segurança é formada por seis mil policiais, a maioria treinados no Rio. Isso levou o ex-comandante-geral da PM, coronel Hudson, a fazer duras críticas à vinda da Força ao Rio. Segundo Hudson, os policiais do Rio não têm nada a aprender com a Força, que se vier ao Rio poderá ver seus integrantes deixarem o estado em caixões.
postado por: JORGE ANTONIO BARROS 7:07 PM